domingo, 4 de outubro de 2009

O Eterno Ritual - Adriano Siqueira e M. D. Amado


O ETERNO RITUAL

por Adriano Siqueira siqueira.adriano@gmail.com






Novamente eu estava com minha mulher no meio daquela floresta.
De três em três meses, ela insistia que fizéssemos esta viagem.
Não a culpo, pois era um lugar lindo, mas mesmo assim, eu achava estranho...
Porque ela sempre escolhia aquela floresta?
Pensei na possibilidade dela estar me traindo.
Ela me amava. Apoiava-me em tudo que fazia, defendia-me o tempo todo.
Ela cuidava de mim como se eu fosse seu irmão mais novo! Mas eu era desconfiado. Sabia que ela tinha alguém e hoje, eu descobriria quem era.
A noite, quando acordei, ela não estava dentro da barraca. Fui procurá-la.
Andei mais de um quilômetro e vi algo que se parecia com um ritual.
Meu Deus! Minha mulher estava no meio daquela roda de fanáticos fazendo sexo com um homem que nunca tinha visto!
Eu não estava acreditando.
Ataquei o homem e arranquei minha mulher de lá.
No caminho, ela chorava dizendo que era preciso terminar o ritual.
Eu estava alucinado. Nada que ela dizia justificaria aquele ato.
Ela correu até a barraca, pegou a arma e me disse para matá-la.
— Impossível! — eu disse. Eu não poderia de forma alguma fazer aquilo.
Ela começou a mudar de voz... Seu corpo passava por uma mutação...
Estava se transformando em algo grotesco, um dragão ou crocodilo. Nunca tinha visto nada igual...
— Atire! Agora!
Uma hora depois.
— Ela me amava, sabe, seu guarda. Ela era tudo que eu mais amava.
Agora só resta nós dois. Eu e a... Minha filhinha.

A marca de nascença de Marina se fazia cada vez mais notada com o passar dos anos. Ela se orgulhava de sua marca, no formato de lua. Gostava de exibi-la sempre que possível. Parecia uma tatuagem de verão, e lhe dava um certo charme, aos olhos dos jovens amigos de escola.

Para sua festa de quinze anos, o tema foi diferente de tudo que se vê por aí. Uma festa gótica, com direito a banda ao vivo. Seu pai estava inquieto, apesar de ter dado todo apoio para a festa. Não sabia explicar, mas sentia o mesmo incômodo na alma, que sentira na noite em que teve que dar cabo de sua esposa. O ritual... O ritual... Uma voz parecia verberar dentro de sua mente, deixando tudo ao redor em segundo plano, até mesmo o altíssimo som que vinha das guitarras no palco.

O ritual... Eu tinha que terminar o ritual...

Treze anos depois, ele ainda reconhecia aquela voz. Assustado, procurou sua filha com os olhos. A encontrou dançando no meio do salão. Era a imagem da mãe um pouco mais jovem.

No palco a banda cover tocava After Dark, de Seraphim Shock. As poucas luzes no ambiente deixavam ver o início da transformação...

O ritual... Eu tinha que terminar o ritual...

Marina levou as mãos à marca de nascença. Queimava... Uma dor insuportável. As roupas eram rasgadas, mostrando o bonito corpo da jovem, que agora tomava proporções bem maiores. Um misto de delírio, excitação e pavor tomou conta dos amigos mais próximos.

O ritual... Eu tinha que terminar o ritual... Tinha que libertar nossa filha...

Sua pele branquinha e bem cuidada dava lugar a escamas grossas e escuras. Os olhos adquiriam um tom alaranjado e cresciam de tal forma, que se deslocavam para as laterais do rosto...

O ritual... Eu tinha que terminar o ritual...

Um grito pavoroso saiu de sua garganta, enquanto lágrimas de um espesso sangue brotavam de seus olhos. Asas...

Você não me deixou livrá-la da maldição... O ritual...

Asas de dragão... Foi a última fase da transformação. Sua melhor amiga, Aninha, foi seu primeiro alimento. Metade do corpo destroçado caiu no chão quando Marina alçou vôo, quebrando a grande porta de vidro. Seu destino, por instinto: a floresta onde tudo deveria ter terminado.


M. D. Amado é proprietário do http://www.estronho.com.br/ que está fazendo 13 anos de vida.

Participou da Antologia DRACULEA, o livro secreto dos vampiros


Lançou o e-book gratuito Empadas e Mortes




Adriano Siqueira, Nelson Magrini e M. D. Amado
no lançamento do Draculea, o livro secreto dos vampiros.




segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A Vampira Alinam - por Adriano Siqueira e Raphael Albuquerque

A Vampira Alinam
Por
Adriano Siqueira
siqueira.adriano@gmail.com
Raphael Albuquerque
raphael_albuquerque_@hotmail.com



Parte 1

Alinam, a Vampira Solteira, procura...

Com um anúncio assim todos os homens da terra ficariam impressionados.
Mas ninguém ficaria mais impressionado do que o Sr. Dryne.


Dryne era um homem completamente obcecado por vampiras e ao ver o anúncio ficou louco para conhecer Alinam a Vampira.
Depois de se arrumar nos lugares mais chiques de São Paulo Ele arrumou as malas e foi para o Rio de Janeiro conhecer a vampira.
Logo que chegou no endereço indicado no anúncio Dryne percebeu que o apartamento era no topo do prédio. Ele pegou o elevador e quando chegou no último andar, viu uma mulher arrastando um corpo.
Ele ficou assustado. Ela era muito forte, pois o corpo tinha pelo menos mais de 120 quilos.
Ela olhou rapidamente para Dryne e disse:
— Vai ficar ai parado ou vai me ajudar a carregar este corpo?
Sem pensar nas conseqüências Dryne ajuda a jovem mulher a carregar o corpo para a saída de emergência do prédio.
Logo depois que eles jogam o corpo na saída de lixo do prédio. Dryne pergunta.
— Por um acaso será que poderia me explicar quem era ele?
— Um homem mal. É só o que posso dizer.
— E você?
— Uma mulher... Que gosta de homens.
Ela o abraçou e beijou a sua boca por um bom tempo. Ele ficou bem surpreso com a sua reação e perguntou:
— Por um acaso você não é a vampira que procuro?
— Não! Não sou. Eu apenas estou aqui para ajudar a limpar a “casa” se é que você me entende. Meu nome é Liv. Venha eu vou levá-lo até a vampira.
Dryne é levado para uma grande sala. Liv pega uma taça de vinho e senta ao lado dele e oferece a taça e pergunta:
— Então você quer conhecer uma vampira?
— Eu amo vampiras acho que nasci para ficar com elas, mas confesso que nunca tinha visto anúncios sobre encontros com vampiras.
— Hahaha! Mas Alinam é uma vampira muito diferente. Ela não tem medo de se expor. Alguns vampiros se escondem na noite para pegar as suas vitimas... Alinam não faz isso ela os convida. Eles vem se quiserem.
— Isso é fascinante. Então eu seria uma vitima no caso?
— Talvez... As vezes Alinam gosta da pessoa e eles acabam sendo contratado para trabalhar com ela.
— E como vou saber se eu serei um empregado ou amante ou uma vitima?
— Isso só o tempo dirá... Olha... Ela já está chegando tenho que ir.. Fique a vontade e não mostre medo para ela... Ela odeia homens medrosos. Ela gosta muito de homens que passem confiança para ela. Seja gentil e tudo acabará bem.
Dryne estava atento... Fazia o Maximo para não demonstrar o medo que tomava todo o seu corpo. Era impossível não ter. Não era o tipo de situação que acontecia diariamente. Ele ouve passos vindos da escada... Tentava se posicionar no sofá. Pensava em como se meteu nisso. Se não era melhor ficar em casa procurando fotos de vampiras na internet.
Aos poucos ele via as pernas. Ela usava um vestido preto e salto alto. As curvas chamariam a atenção de qualquer homem. Uma vampira que certamente não teria dificuldades de encontrar vitima. Era uma vampira linda. Não tão alta quanto imaginava. Mas do tamanho certo. Tinha cabelos escuros e usava um piercing bem debaixo do lábio inferior. Seus olhos eram Negros e o seu sorriso muito cativante.
Ela se aproximou sem dizer uma palavra. Chegou muito perto do rosto de Dryne e começou a cheirá-lo deixando uma pergunta no ar:
— Não sabia que as vampiras gostavam de cheirar os homens.
— Na verdade. Eu estou apenas sentindo o cheiro do seu sangue da sua alma. É assim que eu identifico os melhores.
— Espero estar entre eles então.
— Isso eu ainda não decidi e eu não gosto muito de homens impacientes.
— Saiba que, com você, eu não teria pressa.
— Uma boa resposta Sr...
— Dryne... Um homem que aprecia muito a sua beleza.
— Mesmo que eu seja a última mulher que amará por toda a sua vida?
— Isso é você que decide!
— Adoro homens que sabem o que quer espero que eu não tenha que decidir tudo.
— O que quero... Bom... Dê-me oportunidade e lhe mostrarei porque eu te mereço.
— Fique a vontade então... Mas antes. Um joguinho. Liv.
Após Liv ser chamada ela abre a cortina e Dryne fica surpreso com o que vê. Uma mulher sangrando pelo pescoço completamente amarrada em uma cadeira. Seus olhos eram completamente brancos e a sua boca estava aberta mostrando caninos salientes.
Liv pega uma estaca e coloca nas mãos do Dryne. Alinam olha para Dryne e diz:
— Mate está vampira traidora e você fará parte do meu grupo seleto de amigos. Tenho a certeza que você não vai se arrepender.
Alinam e Liv saem da sala e deixam o Dryne sozinho com a vampira. Ele olha para a estaca e depois para a vampira.
Será que ele está preparado para mostrar as vampiras que ele merece confiança? Afinal... Ele nunca matou uma vampira antes. E ele só pensava:

— Será que ela quer realmente que eu mate uma vampira? E será que eu terei o terno amor desta vampira? Será que ela me ama?


Dryne pensou por mais alguns segundos, não poderia demorar muito, talvez devesse demonstrar atitude e iniciativa, não deixar-se ser levado pelas emoções mortais, teria que pensar como um vampiro.

Olhou mais uma vez para a face da vítima. O semblante da bela garota era triste, ela sentia que sua morte estava próxima.

Arcando as sobrancelhas, Dryne deu o primeiro passo em direção à apática vampira.

Segurou a estaca com firmeza, para que ela não escorregasse, o ato deveria ser perfeito.

O martelo de madeira repousava na estante, logo atrás da garota, Dryne decidiu não usá-lo, executaria a moça com as próprias forças.

Antes do ato final, Dryne avistou uma fita adesiva, caminhou até o objeto e o pegou. Logo em seguida selou a boca da vampria, assim impediria qualquer barulho que comprometesse a noite, como um grito indesejado, preferia fazer tudo silenciosamente. Incapacitada de falar, devido à fita adesiva, a traidora só pôde emitir um poderoso grunhido, como se gritasse para dentro do próprio peito.

A estaca teve dificuldade para perfurar a primeira camada da pele, Dryne usou mais força, inclinado o corpo, para obter mais peso.

As costelas estralaram, a haste invadiu o peito da garota, trespassou o coração e cravou-se no encosto da madeira.

O sangue escorreria pelo nariz da vítima, talvez a boca incapacitada de abri-se, não deu passagem para o sangue escorrer por entre os lábios.

A respiração ofegante e o coração acelerado do assassino foram diminuindo suas freqüências gradativamente, até atingirem o limiar normal.

Aparentemente morta, a jovem vampira não esboçava nenhum movimento. Dryne olhou para sua mão, e viu o quanto estava rubra. Encharcada de sangue. Ficou conturbado, nervoso novamente. Nunca havia matado ninguém, e a idéia de ser um assassino agora, deixava-o confuso sobre quem ele realmente é.

A cozinha estava mergulhada na escuridão, Dryne correu até o cômodo e acendeu a luz. Foi até pia e começou a lavar as mãos freneticamente. A água rosada refletia seu rosto apavorado. Por mais que esfregasse as mãos, o sangue parecia não querer sair.

Da janela da cozinha podia-se ver toda a cidade, iluminada por pequenos feixes de luzes.

Lá de cima era possível ouvir o farfalhar da cidade noturna. Carros iam, viam e buzinavam a sirene da policia ecoava por entre os prédios.

Perdido nas frívolas da cidade, Dryne foi surpreendido por Liv, que sutilmente acariciou suas costas, seguido de um sensual abraço.

— Vai acabar rasgando a pele Dryne! — disse a vampira ao sopé do ouvido.

A torneira foi fechada e a água cessou.

Conduzido por Liv, Dryne foi guiado até a sala, onde executou sua tarefa. Alinam aguardava ansiosa pela chegada do carrasco.

Com as idéias em ordem, o rapaz caminhou até o sofá que se sentou outrora. Ficou estático, olhando para Alinam.

— Muito bem feito Dryne! — iniciou Alinam.

— Fiz como foi pedido.

A mulher de vestido preto caminhou até o sofá onde estava o assassino. Escorregou suas lindas e geladas mãos pelos ombros dele. Deu a volta no sofá, parando atrás do homem.

E repousando sua cabeça no ombro de Dryne ela disse:

— Sou muito fiel quando prometo algo Dryne!

— Que bom, assim não preciso me preocupar. — respondeu Dryne sorrindo.

As presas de Alinam mostraram-se intimidadora, mas o carrasco Dryne não moveu um músculo.

— Farei de você um nós, será um amigo agora. E a partir de hoje não farei mais anúncios. Mudarei as regras e os jogos, você será para sempre o meu carrasco, caçara para mim todas as noites, e trará aqui todas as nossas vítimas. Aceita o jogo Dryne?

Rindo altamente o carrasco responde:

— Mas é claro minha adorada.

— Então se prepare Dryne, você passara adoráveis noites ao meu lado! — disse Alinam cravando suas presas no pescoço de sua mais nova vítima. Dryne!


Os Autores
Adriano Siqueira e Raphael Albuquerque também participam na Antologia Draculea - o livro secreto dos vampiros






Raphael está segurando o livro e eu estou na frente abaixado. - foto do lançamento do Draculea

O blog do Raphael Albuquerque é http://bardostrovadores.blogspot.com/
 
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