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domingo, 1 de fevereiro de 2009

A FESTA - JULIANO SASSERON E ADRIANO SIQUEIRA

A Festa

Adriano Siqueira (início)
Juliano Sasseron (Final)



Sara liga seu aparelho de cd e coloca a música A Beautiful Lie – 30 Seconds to Mars enquanto providencia os preparativos para a grande festa que ela vai dar no seu apartamento.
Ela canta e dança conforme coloca os pratos na mesa.
O primeiro convidado chega.
Era Luiz, o seu namorado.
Eles se beijam por alguns instantes, em seguida ela pede para ele se sentar no sofá e enquanto ele se conforta Sara joga no colo do Luiz a lista de convidados.
Ele sorri... Sabe que é raro ela dar uma festa. E até fica orgulhoso de ver ela tão alegre e dançando. Dá um grande sorriso pra ela e começa a ler a lista de convidados. Seu sorriso vai, aos poucos desaparecendo do seu rosto. Ele começa a ficar com raiva e olha furioso.
- O que vai fazer? Por quê os convidou?
Ela apenas sorri. Pega a faca que estava em cima da mesa e levemente passa os dedos na ponta.
Apenas estou querendo fazer as pazes.
- Não vou ficar aqui assistindo você fazer isso com eles!
- Vai sim... Quero que veja tudo e você não vai sair. Você é curioso. Quer saber o quanto tenho de poder e até que ponto eu posso chegar. Além disso... Eu te amo e cada vez que te vejo impressionado você me deixa excitada.
- Você é louca eu não vou ficar aqui assistindo o que vai fazer e...
Luiz recebe um beijo da Sara e por mais que ele tenta falar mais ela o beija quente e com ternura. Ele se entrega em seus braços e ela o coloca sentando novamente até que diz bem baixinho.
- Você vai ficar bem aqui comportado e em silêncio até que tudo termine. Caso diga algo que não me agrade eu posso ficar triste com você.
- Porque não faz maldades comigo sara? Deixe-os...
- Mas eu já fiz... Você suportou todas... Até que descobri que sua fraqueza é você não suporta quando faço maldades com os outros. E isso me excita. Ver você sem saber o que fazer... Perdido. Deixa-me tão... tão quente. Você sofre tanto e eu adoro cuidar de você depois, tentando confortá-lo. Eu o amo... Amo muito. Você é tão... Tão menino pra mim. Tem tanto que aprender.
Sara ouve os convidados chegarem. Aos poucos todos os cinco convidados estão reunidos celebrando aquela noite. Uma linda noite de festa.
Luiz a assiste conversando com eles. Às vezes ela olha para o Luiz e pisca. Ele tem um calafrio cada vez que ela se aproxima e passa as mãos no seu peito e diz que o ama... Ele praticamente fica congelado.
Sem ação. Esperando qual seria a primeira vitima de Sara.
A Sua amiga do colégio Jéssica... Sara sempre a via roubar os namorados das suas amigas.
Sara sorri e abraça Jéssica com ternura. Elas conversam por algum tempo e depois vão para a cozinha. Luiz observa a porta da cozinha se fechar. Enquanto todos estavam escutando música e bebendo Sara sai da cozinha. Sozinha. Luiz começa a engolir seco. Fica se perguntando porque a Jéssica não saia da cozinha. Desta vez Sara não olhava para Luiz. Ela estava olhando os convidados atentamente. Até que ela vai falar com Rogério.
Sorrateiramente Luiz consegue ir até a cozinha e vê, no chão...
Jéssica caída... Não havia sangue... Apenas dois furos no seu pescoço.
Luiz ficava sem saber o que fazer... Sara era agora uma vampira! Ele balbuciava desesperado! - Como ela conseguiu isso? - E agora vai se vingar de todos. Todos!
O rapaz respira fundo, fazendo o batimento cardíaco desacelerar, e volta para a sala principal.
Sara, ainda falando com Rogério, lhe dirige um olhar frio e em seguida manda-lhe um beijo sedutor.
O pobre Luiz não sabe o que fazer. Estava preso na teia tecida pela vampira.
Após ouvir algumas palavras de Sara no ouvido, Rogério se levanta e vai para a cozinha, acompanhado da mulher.
- Jessica quer conversar em particular. – ela mente.
Luiz senti o compasso do coração aumentar novamente. Tinha que fazer alguma coisa, e rápido. Tentou pensar em algo, mas no instante seguinte Sara já saia da cozinha lambendo os lábios.
- Creio que eles têm muito o que falar.
Sara envolve Luiz em seus braços e enquanto o conduz até o sofá, lhe beija a orelha.

“Lie awake in bed at night
And think about your life
Do you want to be different? [Different]
Try to let go of the truth
The battles of your youth
'Cause this is just a game”

- Essa música já repetiu umas cinco vezes. – diz Hugo. – Vou trocar o CD.
- Deixe. – interrompe Sara. – Você já reparou na letra?
Hugo olhou para ela intrigado. “Já está bêbada”, pensou.
- Não. Sou péssimo em inglês.
- Pois bem, vou traduzi-la para você.
Amanda e Samuel pararam de conversar e fitaram Sara.
Ela retirou os braços de Luiz, se levantou e começou a recitar:

“Deite na cama à noite
E pense sobre a sua vida
Você quer ser diferente, diferente?
Tente contar a verdade
As batalhas da sua juventude
Porque isso é só um jogo”

Hugo riu. Achava que Sara estava completamente bêbada.
- Você acha isso engraçado? – a voz da mulher adiquiri um tom mais aspero.
Ele ficou em silêncio.

“É uma bela mentira
É uma perfeita negação
Apenas uma linda mentira para se acreditar
Tão linda, linda mentira”

- Vocês três – diz apontando para Hugo, Amanda e Samuel – , vivem essa mentira.
O clima começa a esquentar. Luiz ouve tudo sem pronunciar uma palavra. O medo do que estava por vir levantava-lhe os pêlos da nuca. Recua um passo. A garganta seca perante o que estava por vir.
Os três convidados olham entre si. Amanda começa a tremer, sabia o que Sara iria dizer depois. Aquilo iria por fim a seu namoro.
- Sara, vamos conver... – começa a mulher, mas é interrompida.
- Huumm, vejo que está com medo. É melhor mesmo. Seu segredinho vai ser revelado. – diz Sara, depois vira-se para Hugo e sorri.
O homem passa a mão trêmula no cabelo.
- Você está bêbada. Não sabe o que está falando.
O pobre Luiz sofre ao ver aquela situação. Sua amada havia se transformado em uma criatura com uma frieza inacreditável.
- Samuel... Samuel... – cantarola Sara. – Você sabe o que sua namoradinha e seu amiguinho fazem quando você não está por perto?
- Não escute o que ela vai dizer. É mentira. – diz Amanda com os nervos à flor da pele. Ela tenta pegar no braço do namorado, mas este recusa e fita Sara, esperando que ela prossiga.
A vampira diverti-se com a cena.
- Me diga Hugo: você nem lembra do amigo quando está transando com a namorada dele?
O homem fica irado. Levanta-se e vai em direção à Sara para agredi-la.
- Sua vaca!
Luis vira o rosto quando as unhas da vampira se transformam em garras e rasgam a face de Hugo.
Sangue espirra por todos os lados, manchando desde o chão e movéis até a parede do apartamento.
Amanda grita. Samuel também não contém seu espanto perante a cena horripilante.
Sara usa sua velocidade vampiresca e para ao lado da mulher. Amanda treme compulsivamente. Não consegue se mexer, estava paralisada de medo.
- Mentiras sempre são reveladas. – diz a vampira. – Mas não se preocupe, o seu namoradinho também tem um segredinho, não é mesmo?
Sara coloca suas mãos no ombro de Samuel que ainda estava atordoado com os repentinos acontecimento. Aquilo estava mesmo acontecendo? Parecia um pesadelo insano.
- Você ainda deseja ter um caso comigo, mesmo sabendo que sou uma... VAMPIRA?
Nesse instante Luis fica chocado. Não sabia dessa história.
- Isso mesmo querido. – diz Sara olhando para o rosto surpreso de Luis. – Esse verme queria te passar para trás.
- Luis, não é bem assim, é que... – Samuel não consegue concluir sua frase, pois nesse instante os caninos afiados de Sara perfuram seu pescoço.
Amanda tenta gritar novamente, mas a vampira tampa-lhe a boca. Sara passa a lingua no pescoço da mulher mas não a morde. Estava cheia. Com uma força exercida por seus braços, a vampira quebra o pescoço da última convidada, fazendo a cabeça da mulher pender para o lado.
Luis cai de joelhos. Lágrimas escorrem de seus olhos. Sofrimento.
Sara aproxima-se do namorado e beija-lhe calorosamente, depois posiciona seus lábios perto da orelha do homem e repete algumas palavras que havia dito anteriormente:
- Isso me excita. Ver você sem saber o que fazer... Perdido. Deixa-me tão... tão quente. Você sofre tanto e eu adoro cuidar de você depois, tentando confortá-lo. Eu o amo... Amo muito. Você é tão... Tão menino pra mim. Tem tanto que aprender.
Ficam nus rapidamente e após uma transa inesquecível, atingem o orgasmo junto, em meio aos cadáveres espalhados pelo apartamento.

“It's time to forget about the past
To wash away what happened last [happened last happened last]
Hide behind an empty face
Don't have too much to say
That this is just a game”




SOBRE JULIANO SASSERON

Juliano é Engenheiro Agrônomo e escritor. Nasceu a 6 de dezembro de 1985, em Andradas, MG. Escreveu seu primeiro livro ("Abençoado?" uma publicação independente) com 18 anos. Gosta de diversos gêneros literários, sendo o preferido: literatura fantástica.

Boêmio, gosta de sair e se divertir. Adora fazer novas amizades e ter contato direto com os leitores. Escreveu livros de suspense e de fantasia. Criou um mundo habitado por elfos, magos, anões, guerreiros, dragões e outras criaturas mágicas, no qual já escreveu as duas primeiras das quatros histórias programadas.
ASSISTA MATÉRIA COM O ESCRITOR SOBRE O SEU LIVRO "CRIANÇAS DA NOITE"
www.youtube.com/watch?v=f3cK-zqNoD4

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

FUTURO SOMBRIO - ADRIANO SIQUEIRA E NELSON MAGRINI





FUTURO SOMBRIO
Adriano Siqueira (início)
e Nelson Magrini (final).


“Eu não tinha como saber se minha descoberta mudaria nosso futuro. O que eu sabia é que precisava divulgar esta descoberta. Neste atual ano de 2304 nossos alimentos ainda são derivados do sangue. Sangue humano. Como nossos ancestrais vampiros, porém, usamos apenas, uma propriedade do sangue humano. Descoberta apenas há 200 anos através de estudos feitos em um único vampiro morto, achado no Amazonas, no século 21. Era extraído apenas o sangue humano da propriedade Tensor de tensões que define o estado de tensões num determinado ponto do corpo. Está propriedade não existia sem uma tensão no corpo e por isso os cientistas antigos não a achariam se não fosse retirada na hora certa. O corpo humano precisava passar por uma certa tensão para adquirirmos esta propriedade. Às vezes um susto ou mesmo euforia ou medo. Quase como adrenalina, porém rico em proteínas. Essas mudanças químicas acionadas pela tensão geravam a maior parte dos alimentos para os vampiros. Os cientistas descobriram esta propriedade no sangue humano e perpetuamos a nossa espécie. Mas se os humanos agora vivem mais de 200 anos e se alimentam desta propriedade sanguínea seria difícil acreditar que ainda somos humanos. Se não somos humanos também não somos filhos de Deus... De quem será a Terra então”?
- Abram!!! Abram!!!
- Mas quem será a essa hora?
- Viemos para tomar o que é nosso!!!
- Tummmff Aghhhhh!!!

# #

- A gravação terminou coronel. É tudo que temos... Fora o corpo com uma estaca enfiada no peito.
- Aquele corpo, Soldado, era de um dos maiores visionários deste mundo moderno. Era amado pelo nosso povo e suas descobertas ajudaram muitos doentes.
- Sinto muito senhor. Eu não sabia que aquele homem era tão importante.
- Ele era também... Meu irmão.
- Senhor isto foi encontrado ao lado do seu corpo...
- Uma rosa? Essa não!
- Alguma pista senhor?
- Pista? Este é o nosso próprio túmulo... A rosa não tem espinhos. E isso só aconteceu uma vez... Antes de Lilith ser expulsa do paraíso... Ela voltou e seus filhos, os demônios, querem vingança...

# #

O homem se recostou na poltrona e ficou olhando para a janela às escuras, muito embora, não olhasse para lugar algum em específico. Ele ouvira a gravação uma centena de vezes, e ainda assim, acreditava que deixara passar alguma coisa, um indício, pista, o que fosse. O coronel mencionara a nome Lilith e mencionara a palavra demônios, ele fora bastante enfático, inclusive, mas e daí? Lilith pertencia a uma lenda antiga, ou crendice, como prefeririam alguns. Falar em Lilith era o mesmo que falar em Adão e Eva, e em todas as implicações que daí derivavam, e nesse instante, o solo da racionalidade desabava. Tomar aquilo como possibilidade real era, no mínimo, exótico, além de obrigá-lo a adentrar em um terreno pantanoso, onde o conhecimento cético e prático perdia a valia, e a partir daí, qualquer hipótese se tornava factível, por mais fantasiosa que fosse.
O homem balançou a cabeça, se levantou e saiu ao terraço, observando a cidade, distraído. Ele sempre considerara o coronel um homem bastante pragmático e racional, mas agora, colocava em dúvida aquela conjectura. Apesar da humanidade ter adentrado ao século XXIV, e ter cada vez mais conquistado avanços na Ciência e tecnologia, logo após a descoberta da propriedade Tensor, e conseqüente mudança nas pessoas, a lenda da origem dos vampiros por Lilith passou a ganhar força, em breve se transformando em uma religião, mas nunca desconfiou que o coronel fosse simpatizantes dessas crenças. Possivelmente, a morte do irmão o havia abalado muito mais do que transparecia.
O homem olhou para a rua abaixo, se indagando o que pensariam aqueles que ali passam, se soubessem do ocorrido?
- Uma estaca no coração, merda! – praguejou de súbito, por entre os dentes cerrados, contrariado. - Era tudo o que a mídia desejaria, além de minha cabeça em uma bandeja! – completou, em voz alta.
Ele se voltou devagar, sentando-se à poltrona outra vez, agora pegando o relatório oficial da investigação, relendo-o. A área técnica garantia que não havia nenhum ruído de fundo significativo, salvo um pequeno silvo à distância, que ainda não havia sido identificado. No mais, era uma gravação padrão, destituída de imagens, que fora iniciado no instante das batidas à porta da vítima. A rosa sem espinhos ainda era um mistério, e continuava sob análise, salvo, é claro, pelo coronel, que a atribuía a Lilith e aos demônios, e fora aí, que a lenda entrara.
O homem jogou os papéis por sobre a mesa e se recostou, apertando os olhos. Estava cansado, e misturar lendas e crendices com fatos, não era uma receita muito propícia, principalmente para se desvendar um crime. Ele se levantou, concluiu sua taça de sangue e se dirigiu ao quarto. Em breve amanheceria e precisava repousar. Sabe-se lá porque, uma frase lhe veio à mente:
Se não somos mais humanos, de quem será a Terra, então?
Por um segundo, se deteve, tentando se lembra onde ouvira aquilo, ou mesmo, seu significado. Passado uns instantes, desistiu, foi ao quarto e se deitou. No entanto, não adormeceu de imediato. Longe, bem no fundo do inconsciente, uma voz lhe repetia:
...de quem será a Terra, então?







Sobre Nelson Magrini

Um nome de destaque no segmento de terror nacional, Nelson Magrini é paulistano e formado em engenharia mecânica pela Universidade Mackenzie. Atuou como Consultor Internacional de Gestão Empresarial e também como pesquisador e estudante de Física Quântica. Entre seus principais hobbies estão a música e a literatura de ficção e sobrenatural. Começou suas atividades como autor a partir de 2000, com projetos, voltados tanto para o público adulto quanto para o pré-adolescente, trazem como principais ingredientes suspense, aventura e elementos sobrenaturais. Publicou dois romances de terror pela Editora Novo Século, ANJO A FACE DO MAL e RELÂMPAGOS DE SANGUE, além de ter participado da coletânea AMOR VAMPIRO, da Giz Editorial.




 
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